Descobridora dos sete males (parte 1)
Quem a magoou não sabia amá-la
pelo medo excessivo de ser rejeitado.
E ela, que o amou demais, deixou de adorá-lo
pelo
medo excessivo de enfrentá-lo.
Dolorida, ela achou o mundo raso demais pra
compreender sua profundidade.
Acabou se aprofundando em si mesma,
num tom
resoluto e desesperado de refúgio.
Logo, descobrira que o medo é áspero demais para
excessos e deslizes.
Ela descobriu que aquele a se acostumar com o medo,
há de virar seu confidente.
Descobriu que a disposição de mudar é firme, apenas,
no começo da desordem interna.
E, se reprimida, a vontade de mudar vira frustrante.
Então, como toda dor doméstica,
seu ego tende a forrá-la num intuito ilusionista.
Mas ela sabe bem que fugir de uma fonte acomodada de frustração,
por vezes, é tão difícil quanto fugir de uma fonte de prazer.
Felizmente, ela sentirá esse desejo reprimido de mudança
em cada partícula do seu corpo.
Como uma defesa.
Eis que surge o fiel cobertor contra o frio das frustrações:
A ilusão.
Ela descobriu que toda ilusão dolorosa só se concretiza por uma simples condição:
-Intolerância excessiva às verdades alheias.-
Descobriu que é defensivamente instintivo criar uma miragem.
Mas apenas se acomoda com a ilusão aquele que não consegue achar realidades suficientes que superem o patamar elucidante e afável de um bom sonho.


1 comentários:
Massa cara, foi a fundo nas paixões humanas!
Victor Martins
Postar um comentário