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domingo, 22 de abril de 2012

Inocência doce de um amor de recreio


CAFÉ DA MANHÃ



De manha ao se sentar,
ela se lembra do amor e de passar o leite em pó.
A amargura do café há de equilibrá-la,
ela já é doce de mais.
O misto esfria, o suco azeda, o pão endurece,
e ela ainda a flutuar..no beijo roubado do dia anterior.
Sonhando um dia combinar tão bem com algo,
como queijo e presunto, como a faca e o garfo. 
E de poesia e romances à beira da mesa
o cuscuz já chupou o leite, omelete perdeu a graça,
e a fruta já deixou de ser fresca

E Ela vai sonhando ao pé da mesa..
E Ela vai sonhando ao pé da mesa...

Como se paixonite fosse complexo vitamínico ou alguma proteína.
Já vi paixão encher o peito,
mas nunca vi encher barriga.

"Coma, minha filha!",
dizia a mãe afadigada pelo amor alheio.
Tem coisa mais chata que amor de recreio?
Ela tem 12 anos e já se alimenta dessa fé,
chamam de amor, de passatempo, de coisa qualquer.
E de amores e passatempos, 
ela vai descobrindo o sabor do recheio que a completa.
Mas de uma coisa eu sei que ela saberá:

Não tem amor que não estrague uma dieta.

1 comentários:

Marcele Cavalcante disse...

muito bom!
Tão puro, tão mágico...

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